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    O aprendizado do andar, falar e pensar.

    Para entender melhor o comportamento da criança no consultório dentário, é preciso saber do que ela precisa para seu desenvolvimento. Veja que visão diferente e gostosa do amadurecimento infantil.

    A criança pequena se caracteriza por sua grande abertura em relação ao mundo, acolhendo sem resistência tudo o que vem do ambiente em redor. Toda a sua atividade psíquica tem por finalidade conhecer o mundo circundante. Vale observar, que perceber não é um processo meramente passivo, como se a criança absorvesse o meio como uma máquina fotográfica. Para que as impressões do mundo transformem-se em percepção, deve existir na criança um interesse ativo pelo mundo. Uma criança com alguma deficiência, por exemplo, recebe as impressões do mundo exterior, mas não chega a ter percepção, pois dentro dela não há este interesse pelo meio que a circunda. Esse interesse pode ser interpretado por uma “cobiça”, que é o precursor da vontade.

    Por viver num estado de “ingenuidade paradisíaca”, se defronta com o mundo com confiança ilimitada.
    Por seus órgãos sensoriais estarem abertos, está sujeita irrestritamente ao meio. Começa a falar através da repetição e da imitação e assim vai despertando para a vida mental.
    Em nenhum outro momento teremos uma criança tão aberta e confiante no meio. Comparando com uma criança de nove anos, esta já conta com seu mundo próprio, semelhante a um jardim encantado.

    A atividade interior da criança começa por seu interesse pelo mundo exterior, e acaba descobrindo seu próprio corpo. As mãozinhas que se agitam dentro de seu campo visual são descobertas como seu primeiro brinquedo. Com o desenvolvimento de braços e pernas, começa a transição do plano horizontal para a posição ereta. Do ponto de vista educacional, exercemos influência nos primeiros anos de vida por aquilo que somos, pela confiança e moralidade que adquirimos e manifestamos por nossos atos.
    A criança saberá reconhecer o interesse e sentimentos vindos do coração, o respeito e a vontade de ajudar. Neste período, em que ela aparentemente “nada entende”, é a que mais intensamente assimila os conteúdos da natureza da alma do ambiente que a circunda.

    Começa a erguer-se na segunda metade do primeiro ano, com o esforço para sentar, engatinhar e levantar os bracinhos para cima. O processo termina no segundo ano, quando aprende a andar.
    Podemos assim considerar o andar ereto o final da fase de bebê e o aprendizado da fala como o início da transição para a criança pequena.
    Quando está passando pelo processo de aprendizado do andar, a criança ainda usa muito os braços, para engatinhar, para impulsioná-la para cima e no equilíbrio quando dá os primeiros passos. A partir do momento em que as mãos e braços não são usados mais como órgão locomotor, forma-se no cérebro o centro da fala.

    Uma vez que a criança anda, a percepção está desperta. Durante o aprendizado da posição ereta, se desenvolve a fala.

    O conteúdo da fala flui para a criança, a partir do meio ambiente e ele o assimila imitando-o.
    Se no primeiro ano foi o ambiente moral que influiu nela, agora o fator importante vem a ser o modo correto de falar em sua presença. É fácil percebermos a diferença de uma língua materna bem articulada, sem a omissão de vogais e consoantes, evidenciando elaboração mental na construção de frases e exprimindo nuances do idioma, com riqueza de expressões e vocabulário. Pensemos em uma criança criada segundo estas características de comunicação, e outra em condições contrárias. Vários aspectos chamarão a atenção, principalmente na expressão que esta criança estabelece, na postura frente à comunicação, no olhar, na colocação de uma intencionalidade, de vontade e calor, no vínculo com sua língua materna.

    Através de um vocabulário bem articulado, a escolha exata de palavras, com as pequenas diferenças entre elas, contribui para um pensar diferenciado na criança. A língua materna é conquistada pela imitação e a partir daí, desenvolve o pensar como a primeira função psíquica consciente, entre o segundo e o terceiro ano de vida. O pensar se desenvolve então como que para por ordem no que ela percebe do mundo.

    Referências:
    A natureza anímica da criança, Caroline von Heydebrand Desvendando o crescimento,
    Bernard Lievegoed.

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