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A Anna Carolina tem 11 anos e desde os 3 anos vai dentista. No começo tudo bem, pois eram pequenas cáries e ela permitia que os dentes fossem tratados. Aos 5 anos começou com o trauma com a anestesia e os barulhos dos aparelhos.

Nessa época eu ainda conseguia segurá-la, pois como ela tinha muita cárie, não tinha outro modo, eu tinha que resolver! Eu praticamente tinha que  me deitar sobre ela, a assistente segurava a cabeça e assim foi.

Quando completou 7 anos ela já estava forte e ninguém segurava mais. Através do convênio fiquei sabendo de uma clínica para crianças especiais e lá ela foi amarrada para ser tratada. Foi muito sofrido e só piorou o medo. Dos 7 anos até hoje passei por 4 clínicas e ninguém teve paciência para cuidar da Anna, pois ela se jogava, chutava, chorava, enfim, não permitia que tocassem nela, e os dentistas desistiam de cuidar dela.

No ano passado fiquei sabendo que a Dra. Carmem trabalhava com crianças e fui conversar com ela contando todo o histórico da Anna. A Dra. Carmem então passou medicamentos Antroposóficos para iniciar o tratamento, para ajudar vencer o pânico. Ela estava decidida a ganhar essa batalha.

No início a Anna chegou, quis ir embora, mas com paciência e muita sabedoria a Dra. conseguiu que ela deixasse tratar os dentes. No decorrer desses anos, sem que ninguém conseguisse uma solução,  a Anna estava com 16 dentes cariados. Hoje é seu último dia e só foi possível porque com persistência, rigorosidade, carinho e muito diálogo a Dra. Carmem não desistiu da Anna.

Havíamos pensado em anestesia geral ou sedação como último recurso, mas conforme conversado, se optássemos por  um tratamento em que ela ficasse inconsciente, perderíamos a oportunidade de resolver a questão do pânico, O que foi dito é que a liberdade de podermos fazer um próximo tratamento sem preocupações, com o estabelecimento de um bom relacionamento entre a Anninha e a profissional, seria compensador.

E para minha surpresa, como resposta à proposta feita pela doutora, a Anninha outro dia me disse: “Nossa, mamãe, que bom que a Dra. Carmem não desistiu de mim, como as outras dentistas.”

Sonia Cristina Azul Saoki

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