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Segundo Setênio – 7 a 14 anos

Publicado em: 26/04/2011

Última atualização em: 26/04/2011

Categorias: Antroposofia, Educação, Odontopediatria

Autor: Doutora Carmem


A criança nesta fase já não é mais aberta para o mundo que a circunda, mas agora já possui uma interioridade maior e necessita de um elo de ligação entre o mundo de fora e o seu, interno.

Os adultos que com ela se relacionam, pais e professores, têm uma influência muito importante nesse período, pois é através da autoridade de que ela necessita e que os adultos possuem, que a criança receberá a imagem do mundo.

Portanto, os valores e ideais do adulto demonstrados para a criança podem beneficiar ou prejudicar a formação e visão do mundo infantil.

Se a autoridade é excessiva pode gerar uma maior inspiração do que expiração, desequilibrando o ritmo (agora, de grande importância o pulmão e coração). Isso pode levar desde a uma timidez no futuro, à introversão, ou quadros somáticos de asma.

Se, por outro lado, há falta de autoridade, ou se ela é insuficiente para o estabelecimento de normas essenciais neste período, a expiração maior pode conduzir à extroversão exagerada,   o que leva a criança a desconhecer  limites, podendo caminhar até quadros  histéricos, de dissolução da identidade.

Esses elementos precisam estar em harmonia agora, para que nas próximas etapas da existência a criança se sinta bem, segura, tranquila.  Se nesta época isso não ocorreu, é introduzindo o ritmo na vida do presente que se resgata o equilíbrio.

Assim como as normas, os hábitos vão sendo absorvidos, e portanto, a dosagem entre uma educação muito rígida ou muito liberal, deveria ser observada, pois tanto a imposição quanto a ausência de valores pode impedir um desenvolvimento sadio.

Agora, quando  o sentir está sendo tecido, a fantasia é muito importante. A qualidade de imagens às quais a criança entra em contato é fundamental; situações em que ela possa ouvir estórias infantis, contos de fadas, ou mesmo brincar com brinquedos que promovam a sua participação, são muito diferentes de  ocasiões em que  ela é mera expectadora, como no caso da televisão, ou de jogos e brincadeiras que não estimulem a sua criação, com brinquedos prontos, acabados, sintéticos.

Arte e religião são também fundamentais para a alma da criança que anseia por veneração. Assim, tanto o mundo artístico quanto o religioso são ricos em possibilidades para fazer fluir a alma infantil para o mundo. Como há uma busca natural pela beleza e pela , vivências do belo são fundamentais para um respirar com o mundo, assim como o desejo pela ligação com uma qualidade superior, elevada e espiritualizada consigo mesma e com a vida.

É então que, no meio desta fase, o sentimento de diferenciação, por assim dizer, se estabelece fortemente, e a criança percebe com verdadeiro sentimento e uma espécie de dor, que existem diferenças: de educação entre si e os irmãos, diferenças de tratamento entre as pessoas, de raça, religião, cultura, enfim, situações onde ela se dá conta de que o mundo não é igual para todo mundo, que a lei não é a mesma para todos.

É, na verdade, um profundo despertar do sentimento próprio.

No segundo setênio (de 7 a 14 anos), a criança passa a ter todas as suas forças dirigidas ao seu desenvolvimento anímico. Emancipando-se da vida puramente corporal, as energias infantis reaparecem metamorfoseadas em boa memória, imaginação, prazer em repetições rítmicas e freqüentemente em desejo de conhecer imagens de caráter universal capazes de estimular a fantasia.

O pensamento da criança dessa fase é nascido mais das energias do coração do que da cabeça; é um sentimento que pensa. Este pensar é, portanto, ainda muito diferente do pensar analítico e especulativo do adulto.

A grande força para aprender, nesse momento, é a capacidade de vivenciar imagens interiores intensamente. Essas imagens falam ao mundo dos sentimentos das crianças e é por intermédio delas que a criança se liga aos conteúdos apresentados.

Por volta dos nove anos, no entanto, a criança vivencia uma distância entre ela e os adultos, entre ela e o mundo e isto lhe causa insegurança. Começa então, inconscientemente, a questionar a autoridade a que antes se entregou e busca justificar sua admiração e veneração para readquirir segurança.

Por volta dos dez / doze anos, o corpo da criança começa a perder as características da infância: predomina o crescimento dos membros e o desenvolvimento do sistema muscular se torna mais importante. Inicia-se, aí, o período em que ela inclina-se à crítica e surge uma nova capacidade de raciocinar. Só agora, por volta de doze anos, a criança é capaz de compreender as relações causa-efeito, ou seja, entende e busca legitimamente as leis que regem os fenômenos. Ainda nesse período, toma suas próprias vivências como referência para compreensão deles; só mais tarde terá a capacidade de olhá-los de forma isolada, ou seja, do ponto de vista exclusivamente intelectual.

Nas relações sociais, as crianças dessa fase tendem a ser camaradas e justas com os colegas, levadas por sentimentos morais e honradez. Tudo nessa fase, inclusive as travessuras, têm seu encanto.

No final desse setênio, entre doze e catorze anos, começa o complexo de sintomas da puberdade. Os processos de transformação dentro do corpo do púbere perturbam a harmonia de sua vida anímica. Surge o desequilíbrio e antipatia aos valores tradicionais até então aceitos. A reflexão intensa sobre tudo o que até agora estava estabelecido causa uma grande inatividade , ” preguiça”; por outro lado, todos os processos corpóreos exigem muita atividade física.

Resumindo:

Tarefa dos pais  e educadores no segundo setênio: fazer com que vivenciem que “O mundo é belo”
A criança vai para a escola e seu mundo físico e emocional se ampliam. O professor é a principal figura do setênio. Com ele, descobrem que “o mundo é belo”. Se forem incentivados a observar a natureza, a apreciar obras de arte, teatro, esportes e literatura, esses valores permanecerão a vida toda.

Algumas crises emocionais ocorrem por volta dos 9 anos, quando a criança sente que o mundo não é tão “colorido”. Ela se dá conta de que seus pais não são super-heróis e de que há injustiças no mundo.

Esta é uma etapa que representa a base para o amadurecimento psicológico: ocorre o desenvolvimento intenso da cabeça, do tórax (coração e pulmão) e alongamento dos membros. É uma fase de interiorização e também de troca com o ambiente (social), mas a criança necessita de um adulto (autoridade amada) para fazer essa ligação com o ambiente.

A devoção e veneração são atitudes a serem cultivadas. A Arte e a Religião auxiliam no desenvolvimento dos sentimentos. Nessa fase, são fundamentados os hábitos e costumes que permanecerão na vida do individuo por muitos anos.

Idéias importantes a serem transmitidas:

Referências :  http://www.sab.org.br/fewb/pw3.htm

-A natureza anímica da criança, Caroline von Heydebrand;

-Consultório Pediátrico , Michaela Glöckler.

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