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Manchas nos Dentes – Quais são as causas e tratamentos

Um dos temas  mais preocupantes para os pais e motivo constante de consulta e muitas perguntas, são as manchas nos dentes.

Elas podem ser de natureza diversa, e nada melhor que o exame clínico da criança para determinar o tipo de mancha e tratamento adequado, mas vamos fazer alguns esclarecimentos.

Primeiramente, as manchas nos dentes podem ocorrer por pigmentações externas ao dente, desde placa bacteriana antiga, amarelada (cor de gema de ovo), pigmentações escuras, como as resultantes da ingestão temporária de ferro pela criança. Essas são manchas que podem não ser facilmente removidas pela escovação domiciliar, mas que são eliminadas por profilaxia com pastas e escovas em consultório dentário.

O importante é removê-las e verificar como se encontra o esmalte dentário sob essas manchas, corrigir técnicas de escovação e se necessário, conseguir a ajuda de enxaguatórios bucais (veja o vídeo) ou medicação antroposófica que regularize o PH da saliva e consequentemente estabeleça a saúde bucal, com menor aderência de placa.

Além das pigmentações, o esmalte pode ter sofrido algumas alterações, como a seguir veremos:

  • Hipoplasia de esmalte, má formação no esmalte do dente por vários motivos, com falhas que na maioria das vezes, precisam ser restauradas;

  • Manchas leitosas esbranquiçadas, amareladas ou amarronzadas;

  • Falhas no desenvolvimento do esmalte (A seguir mais informções sobre esse item).

Porque ocorrem as falhas no desenvolvimento do esmalte dos dentes?

 

Para responder essa pergunta, vamos ver os resultados de uma pesquisa muito esclarecedora*:

  • A ocorrência dessas falhas não varia segundo sexo, lado da boca, tipo de dente ou raça.

  • Ocorrem com freqüência maior em dentes da maxila (superiores), na superfície vestibular (parte de fora do dente) e no terço médio das superfícies afetadas, com um esmalte mais espesso, não relacionado com maior resistência.

  • 25% dos incisivos da maxila (superiores) contra 10,1 % dos incisivos da mandíbula (inferiores) apresentaram falhas no desenvolvimento do esmalte nesse estudo, cuja localização coincidia com o esmalte formado ao nascimento. Um terço (33.3%) dos caninos apresentaram essas ocorrências , mais comumente no terço médio de suas superfícies vestibulares. Neste caso, acredita-se que os defeitos ocorreram aproximadamente seis meses após o nascimento da criança e podem ser causados primariamente por trauma mecânico.

De toda maneira, quando nos deparamos com má formação dentária, podemos solicitar acompanhamento médico para avaliação de alguma doença sistêmica, que possa estar associada a essa característica do esmalte dentário. E o mais rapidamente possível, a criança precisa ser examinada e tratada, pois muitas dessas falhas deixam a dentina exposta, e consequentemente a criança sente dor.

Como a dor é difusa, a criança não sabe precisar o que está sentindo, e a dor acaba passando por um incômodo que se manifesta como irritabilidade, choro fácil, mau humor e falta de apetite. Após o tratamento, os pais sentem a diferença no comportamento da criança e relacionam o bem estar aos dentes tratados.

Por esses motivos, além dos procedimentos usuais com anestesia e produtos que protegem a dentina, costumamos medicar os pacientes com medicação antroposófica, para maior conforto com diminuição da sensibilidade, estabilidade emocional e segurança.

*Fonte: Macroscopic Enamel Defects of Primary Anterior Teeth – Types, Prevalence and Distribution.(Pediatr Dent. Howard L. Needleman, Alan Leviton, Elizabeth Allred 1991;13:208-216).

Espero ter esclarecido alguns pontos sobre esse assunto, mas caso ainda você tenha alguma dúvida, envie um comentário. E consulte sempre um odontopediatra, boa sorte!

Doutora Carmem Silvia – Dentista de Crianças.