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Segundo SetĂȘnio – 7 a 14 anos

  • Dra. Carmem
  • 6 de set. de 2019
  • 4 min de leitura

Atualizado: 11 de set. de 2019


A criança nesta fase jå não é mais aberta para o mundo que a circunda, mas agora jå possui uma interioridade maior e necessita de um elo de ligação entre o mundo de fora e o seu, interno.

Os adultos que com ela se relacionam, pais e professores, tĂȘm uma influĂȘncia muito importante nesse perĂ­odo, pois Ă© atravĂ©s da autoridade de que ela necessita e que os adultos possuem, que a criança receberĂĄ a imagem do mundo.

Portanto, os valores e ideais do adulto demonstrados para a criança podem beneficiar ou prejudicar a formação e visão do mundo infantil.

Se a autoridade é excessiva pode gerar uma maior inspiração do que expiração, desequilibrando o ritmo (agora, de grande importùncia o pulmão e coração). Isso pode levar desde a uma timidez no futuro, à introversão, ou quadros somåticos de asma.

Se, por outro lado, hå falta de autoridade, ou se ela é insuficiente para o estabelecimento de normas essenciais neste período, a expiração maior pode conduzir à extroversão exagerada,   o que leva a criança a desconhecer  limites, podendo caminhar até quadros  histéricos, de dissolução da identidade.

Esses elementos precisam estar em harmonia agora, para que nas prĂłximas etapas da existĂȘncia a criança se sinta bem, segura, tranquila.  Se nesta Ă©poca isso nĂŁo ocorreu, Ă© introduzindo o ritmo na vida do presente que se resgata o equilĂ­brio.

Assim como as normas, os hĂĄbitos vĂŁo sendo absorvidos, e portanto, a dosagem entre uma educação muito rĂ­gida ou muito liberal, deveria ser observada, pois tanto a imposição quanto a ausĂȘncia de valores pode impedir um desenvolvimento sadio.

Agora, quando  o sentir estå sendo tecido, a fantasia é muito importante. A qualidade de imagens às quais a criança entra em contato é fundamental; situaçÔes em que ela possa ouvir estórias infantis, contos de fadas, ou mesmo brincar com brinquedos que promovam a sua participação, são muito diferentes de  ocasiÔes em que  ela é mera expectadora, como no caso da televisão, ou de jogos e brincadeiras que não estimulem a sua criação, com brinquedos prontos, acabados, sintéticos.

Arte e religiĂŁo sĂŁo tambĂ©m fundamentais para a alma da criança que anseia por veneração. Assim, tanto o mundo artĂ­stico quanto o religioso sĂŁo ricos em possibilidades para fazer fluir a alma infantil para o mundo. Como hĂĄ uma busca natural pela beleza e pela fĂ©, vivĂȘncias do belo sĂŁo fundamentais para um respirar com o mundo, assim como o desejo pela ligação com uma qualidade superior, elevada e espiritualizada consigo mesma e com a vida.

É entĂŁo que, no meio desta fase, o sentimento de diferenciação, por assim dizer, se estabelece fortemente, e a criança percebe com verdadeiro sentimento e uma espĂ©cie de dor, que existem diferenças: de educação entre si e os irmĂŁos, diferenças de tratamento entre as pessoas, de raça, religiĂŁo, cultura, enfim, situaçÔes onde ela se dĂĄ conta de que o mundo nĂŁo Ă© igual para todo mundo, que a lei nĂŁo Ă© a mesma para todos.

É, na verdade, um profundo despertar do sentimento próprio.

No segundo setĂȘnio (de 7 a 14 anos), a criança passa a ter todas as suas forças dirigidas ao seu desenvolvimento anĂ­mico. Emancipando-se da vida puramente corporal, as energias infantis reaparecem metamorfoseadas em boa memĂłria, imaginação, prazer em repetiçÔes rĂ­tmicas e freqĂŒentemente em desejo de conhecer imagens de carĂĄter universal capazes de estimular a fantasia.

O pensamento da criança dessa fase é nascido mais das energias do coração do que da cabeça; é um sentimento que pensa. Este pensar é, portanto, ainda muito diferente do pensar analítico e especulativo do adulto.

A grande força para aprender, nesse momento, Ă© a capacidade de vivenciar imagens interiores intensamente. Essas imagens falam ao mundo dos sentimentos das crianças e Ă© por intermĂ©dio delas que a criança se liga aos conteĂșdos apresentados.

Por volta dos nove anos, no entanto, a criança vivencia uma distùncia entre ela e os adultos, entre ela e o mundo e isto lhe causa insegurança. Começa então, inconscientemente, a questionar a autoridade a que antes se entregou e busca justificar sua admiração e veneração para readquirir segurança.

Por volta dos dez / doze anos, o corpo da criança começa a perder as caracterĂ­sticas da infĂąncia: predomina o crescimento dos membros e o desenvolvimento do sistema muscular se torna mais importante. Inicia-se, aĂ­, o perĂ­odo em que ela inclina-se Ă  crĂ­tica e surge uma nova capacidade de raciocinar. SĂł agora, por volta de doze anos, a criança Ă© capaz de compreender as relaçÔes causa-efeito, ou seja, entende e busca legitimamente as leis que regem os fenĂŽmenos. Ainda nesse perĂ­odo, toma suas prĂłprias vivĂȘncias como referĂȘncia para compreensĂŁo deles; sĂł mais tarde terĂĄ a capacidade de olhĂĄ-los de forma isolada, ou seja, do ponto de vista exclusivamente intelectual.

Nas relaçÔes sociais, as crianças dessa fase tendem a ser camaradas e justas com os colegas, levadas por sentimentos morais e honradez. Tudo nessa fase, inclusive as travessuras, tĂȘm seu encanto.

No final desse setĂȘnio, entre doze e catorze anos, começa o complexo de sintomas da puberdade. Os processos de transformação dentro do corpo do pĂșbere perturbam a harmonia de sua vida anĂ­mica. Surge o desequilĂ­brio e antipatia aos valores tradicionais atĂ© entĂŁo aceitos. A reflexĂŁo intensa sobre tudo o que atĂ© agora estava estabelecido causa uma grande inatividade , ” preguiça”; por outro lado, todos os processos corpĂłreos exigem muita atividade fĂ­sica.


Resumindo:

Tarefa dos pais  e educadores no segundo setĂȘnio: fazer com que vivenciem que “O mundo Ă© belo” A criança vai para a escola e seu mundo fĂ­sico e emocional se ampliam. O professor Ă© a principal figura do setĂȘnio. Com ele, descobrem que “o mundo Ă© belo”. Se forem incentivados a observar a natureza, a apreciar obras de arte, teatro, esportes e literatura, esses valores permanecerĂŁo a vida toda.

Algumas crises emocionais ocorrem por volta dos 9 anos, quando a criança sente que o mundo nĂŁo Ă© tĂŁo “colorido”. Ela se dĂĄ conta de que seus pais nĂŁo sĂŁo super-herĂłis e de que hĂĄ injustiças no mundo.

Esta Ă© uma etapa que representa a base para o amadurecimento psicolĂłgico: ocorre o desenvolvimento intenso da cabeça, do tĂłrax (coração e pulmĂŁo) e alongamento dos membros. É uma fase de interiorização e tambĂ©m de troca com o ambiente (social), mas a criança necessita de um adulto (autoridade amada) para fazer essa ligação com o ambiente.

A devoção e veneração são atitudes a serem cultivadas. A Arte e a Religião auxiliam no desenvolvimento dos sentimentos. Nessa fase, são fundamentados os håbitos e costumes que permanecerão na vida do individuo por muitos anos.

Idéias importantes a serem transmitidas:

  • O mundo Ă© belo

  • Universo do Sentir

  • VivĂȘncia Musical

  • Autoridade com amor

  • ÓrgĂŁos do sistema RespiratĂłrio

-A natureza anímica da criança, Caroline von Heydebrand;

-Consultório Pediåtrico , Michaela Glöckler.

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